Bitcoin cai, mas suporte resiste após dados do PCE

Bitcoin cai, mas suporte resiste após dados do PCE
Imagem destaque: Pexels/Photo By: Kaboompics.com

A inflação medida pelo PCE dos EUA veio dentro do previsto nesta sexta, 29 de agosto. Os dados reforçaram a aposta de que o Federal Reserve (Fed) pode cortar os juros já em setembro. No mercado cripto, o bitcoin (BTC) reagiu com queda, mas segurou um suporte importante.

Veja o que os números mostram, o que o mercado espera agora e como o BTC está se comportando diante desse cenário.

🧾 O que é o PCE e por que ele importa

O PCE (Personal Consumption Expenditures) é o principal indicador de inflação monitorado pelo Fed. Ele mede o quanto os preços subiram para o consumidor dos Estados Unidos.

São dois dados principais:

  • O índice geral (que considera tudo)
  • O núcleo (que exclui alimentos e energia, por terem muita variação)

É no núcleo que o Fed presta mais atenção na hora de decidir se mantém, sobe ou corta os juros.

Mas por qual motivo?

O núcleo do PCE exclui alimentos e energia. Esses dois grupos de preços são muito voláteis, podendo subir ou cair rápido por fatores pontuais como guerra, clima ou choque de oferta. Por exemplo, o preço do petróleo pode disparar com um conflito no Oriente Médio e depois cair dias depois.

Se o Fed tomasse decisões com base nesses picos, acabaria reagindo a ruídos temporários, o que poderia prejudicar a estabilidade da economia.

Ao focar no núcleo, o banco central busca observar a tendência real dos preços no longo prazo. É esse núcleo que mostra se a inflação está se espalhando para setores mais estruturais, como moradia, serviços, saúde e salários.

🔍 Números divulgados hoje

Os dados se referem a julho e mostram que a inflação está andando no ritmo esperado pelo mercado:

  • O PCE geral subiu 0,2% no mês e está acumulando 2,6% em 12 meses
  • O núcleo subiu 0,3% no mês e 2,9% em 12 meses

Apesar de esperados, os 2,9% do núcleo representam o maior nível em cinco meses. Ou seja, a inflação subjacente ainda não deu trégua total, o que limita o espaço para uma ação rápida do Fed.

📉 E os juros, caem?

Segundo a ferramenta FedWatch da CME, que calcula as chances com base nos contratos futuros, 87,1% dos investidores acreditam que o Fed vai cortar os juros na próxima reunião, marcada para 17 de setembro.

Mas o núcleo mais persistente gerou um clima de cautela no mercado. O corte ainda é possível, mas os dados mostram que a inflação está longe de “resolvida”.

Hoje a taxa está entre 4,25% e 4,50% ao ano. A queda da inflação é um dos sinais que o Federal Reserve esperava para começar a aliviar o freio nos juros. Ainda falta o relatório de empregos (payroll) da próxima semana.

Se o payroll vier mais fraco, a aposta em corte ganha força. Se vier forte, o Fed pode segurar a tesoura mais um tempo.

₿ Reação do bitcoin

O mercado cripto começou o dia animado, mas virou com a realização de lucros. O BTC caiu quase 4%, sendo negociado agora na faixa dos US$ 108 mil no momento da escrita do artigo.

No gráfico diário, o BTC perdeu força ao tentar romper os US$ 115 mil e encontrou resistência justamente na zona onde holders de curto prazo têm seus custos médio, criando uma barreira natural de venda.

A faixa de US$ 107 a US$ 108 mil segurou o preço, o que mostra que há compradores defendendo essa zona. Se perder esse suporte, o próximo nível de atenção fica entre US$ 104 e US$ 102 mil.

📈 E o que esperar agora

Se o corte de juros for confirmado em setembro, o BTC tende a ganhar novo fôlego. Juros mais baixos nos EUA costumam favorecer as criptomoedas.

Mas o mercado ainda está sensível. A dominância do bitcoin caiu nos últimos dias, mostrando que parte do capital já começa a buscar altcoins.

No gráfico semanal, o RSI ainda está acima de 50, o que prova que o BTC não perdeu tendência de alta no médio prazo, mas precisa romper com força a faixa dos US$ 115 mil para buscar os US$ 120 mil novamente.

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