Este texto analisa minha experiência com a extensão Manus Browser Operator, lançada no dia 18 de novembro. A empresa apresentou a ferramenta como uma forma de transformar qualquer navegação comum em algo guiado por inteligência artificial (IA), pronta para agir dentro das páginas que você já usa no dia a dia.
A promessa era simples. Instalar a extensão, ativar o conector e começar a delegar tarefas. Nada de instalação pesada, longos ajustes ou telas de configuração. Em teoria, tudo estaria pronto para funcionar em poucos segundos.
O objetivo aqui é testar essa promessa na prática. Ver o que a ferramenta acerta, onde tropeça, como consome créditos e se aguenta tarefas básicas antes de pensar em algo mais avançado.
Isso importa porque a Manus se apresenta como solução para quem lida com plataformas com login, rotinas longas e ferramentas profissionais. A expectativa é economizar tempo e reduzir repetições. O que encontrei nos testes, porém, foi bem diferente do anunciado.
📌 Quando a IA precisa de GPS para achar vagas de social media

No meu primeiro teste com a extensão da Manus AI, pedi: use meu navegador para abrir meu LinkedIn, filtrar vagas de social media dos últimos sete dias e me entregar os links diretos.
Era uma tarefa curta e clara. Mesmo assim, a IA levou seis minutos para finalizar e trouxe só duas vagas realmente ligadas à área. As outras eram funções diferentes, mesmo aparecendo dentro da busca.
Além disso, não passou da primeira página. Parou ali, sem explorar mais resultados. A única parte que funcionou bem foi o filtro de tempo.
Quando repeti o processo manualmente, levei três minutos. Fui até a página quatro e selecionei apenas vagas de social media.
📌 Quando a IA abandona a tarefa no meio do caminho

No segundo teste, a IA precisava acessar meu Google Docs, abrir o texto sobre Sul Global e Bitcoin e reorganizar o conteúdo com intertítulos mais escaneáveis, preservando tudo que já estava escrito. Ela entendeu o pedido, confirmou que encontraria a aba correta e iniciou o processo sem dificuldade.
Logo depois, parou. Ficou travada e não avançou na tarefa. Pedi para continuar e, nesse momento, o comportamento mudou. Em vez de retomar a edição no documento, a IA disse que criaria um site para buscar vagas, com filtros e bibliotecas modernas. Nada disso tinha relação com o comando original. Foi como se ela tivesse perdido completamente o contexto. A partir daí, não voltou mais ao texto e não fez nenhuma edição no Docs.
Na segunda tentativa, repeti o mesmo comando em uma conversa nova. O comportamento ficou ainda mais estranho.
Em vez de executar a tarefa, a IA iniciou um ciclo confuso. Primeiro disse que acessaria o documento. Depois afirmou que usaria o Gemini.
Logo em seguida mudou para a ideia de criar uma versão paralela. Minutos depois voltou dizendo que precisava revisar o conteúdo inteiro e retornou à inteligência artificial do Google.
Também tentou trabalhar com capturas de tela. Passou por todas essas fases sem aplicar uma única edição no arquivo. O resultado foi o mesmo. Nenhuma edição aplicada ao texto, só uma sucessão de passos que não chegava a lugar nenhum.
Enquanto isso, os créditos sumiam. No plano Plus são 8 mil créditos mensais. A ferramenta consumiu tudo só com esses testes de vagas e com a tentativa frustrada de reorganizar o texto.
Em poucos minutos o saldo foi de completo para zero, sem entrega final, tornando o uso inviável para quem escreve todos os dias. Uma tarefa simples de reorganização não deveria custar quase todo o limite de uso.
📌 Quando a IA acerta, mas em uma tarefa que qualquer pessoa faria mais rápido
Testei também um dos prompts sugeridos no próprio site da Manus. Pedi que encontrasse os cinco melhores restaurantes de sushi perto de mim no Google Maps. A extensão funcionou com menos travamentos do que nos testes anteriores e trouxe uma lista em um minuto, com avaliações, endereços e pequenos resumos. A leitura foi correta e a organização ficou limpa.
Mesmo assim, o resultado não refletiu minha posição real. A IA digitou o nome da minha cidade “manualmente”, então a busca dependia mais do que ela escreveu do que da minha localização precisa.
Se eu abrisse o Google Maps, veria outra lista, porque o aplicativo usa meu GPS. Isso reduz a utilidade do teste, já que a proposta é executar ações direto na página.
Fazer essa busca de forma manual é trivial. Basta abrir o Maps, aplicar nota mínima e analisar os restaurantes em segundos.
Além disso, quem procura um lugar para se alimentar costuma verificar Instagram, TikTok e reviews visuais para confirmar ambiente e pratos. Nada disso a IA consegue avaliar naquele formato.
Comparei também com o agente do Manus, fora da extensão. Ele entregou uma resposta parecida em três minutos e gastou 105 créditos. A extensão foi mais rápida e consumiu apenas 33 créditos. Mesmo assim, o ganho não compensa. É uma tarefa simples demais para justificar uso de IA.
📌 Quando a IA promete postar no Twitter e entrega apenas ilusão
Outro prompt listado no site da Manus dizia que a extensão conseguiria fazer login no Twitter e postar uma mensagem automaticamente. Testei exatamente isso.
Pedi que publicasse o texto sugerido pela própria empresa. A IA respondeu com confiança desde o início. Disse que tinha publicado, confirmou o tweet, afirmou que estava visível no meu perfil e até “verificou” a timeline para garantir. O problema é que nada disso aconteceu. Nenhuma publicação foi feita.

O botão de postar ficou cinza o tempo todo, como mostra a imagem acima, e a extensão não conseguiu clicar nem completar a ação. Mesmo assim, a IA insistia que tudo tinha sido concluído com sucesso. Era só discurso automático sem correspondência com a realidade do navegador. Para piorar, esse teste consumiu 126 créditos.
📌 Quando a promessa de automação não encontra a prática

No site da Manus, a extensão é apresentada como uma ferramenta capaz de lidar com tarefas complexas dentro do navegador. A proposta é que você delegue processos inteiros e confie que a IA vai resolver tudo enquanto cuida de trabalhos importantes.
Só que, na prática, isso não aconteceu. Pedi tarefas simples. Nada envolvendo código, fluxos longos ou automações avançadas. Mesmo assim, a inteligência artificial não conseguiu concluir o que foi solicitado.
Isso reduz a confiança no uso da extensão. Se tarefas simples já consomem o saldo inteiro e não chegam ao fim, fica difícil imaginar entregar algo mais complexo, como automações reais ou rotinas estruturadas.
A única parte que funcionou de forma constante foi a navegação básica, mas isso qualquer navegador já faz sem ajuda de IA. Não chega a ser um diferencial real.
Para quem depende do navegador como ferramenta de trabalho, isso não compensa. No fim, o Manus Browser parece um produto lançado antes do ponto.
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