Donald Trump apresentou algumas propostas de reforma tributária que, segundo sua equipe, podem beneficiar 93,2 milhões de norte-americanos.
Entre as propostas anunciadas, o republicano sugere eliminar a tributação sobre gorjetas e benefícios da Previdência Social, além de isentar o pagamento de impostos sobre horas extras. Em uma entrevista ao site OutKick, ele também mencionou a possibilidade de isenções fiscais para bombeiros, policiais, militares e veteranos.
Essas isenções fazem parte da visão de Trump de substituir o atual sistema de impostos sobre a renda por uma nova forma de arrecadação, que ele acredita vir de suas propostas de tarifas comerciais mais rigorosas.
O político também propõe uma tarifa universal de 20% sobre todas as importações, com uma taxa específica de 60% para produtos vindos da China.
Uma decisão acertada?
Especialistas em tributação questionam a viabilidade dessa estratégia, apontando que a receita gerada por tarifas não seria suficiente para cobrir as perdas decorrentes da eliminação dos impostos sobre a renda.
Garrett Watson, analista da Tax Foundation, afirmou que as tarifas poderiam gerar US$ 3,8 trilhões na próxima década, muito menos que os US$ 33 trilhões estimados que o imposto de renda arrecadaria no mesmo período.
As tarifas, que impactam diretamente os importadores nos EUA, geralmente são repassadas aos consumidores, o que poderia significar um ônus maior para os cidadãos de baixa renda, que já têm uma grande parte de seu orçamento comprometida com custos adicionais.
De acordo com a Administração da Previdência Social, 68 milhões de norte-americanos recebem benefícios mensais, enquanto a Yale University calcula que, em 2023, havia 4 milhões de trabalhadores em empregos que dependem de gorjetas. Além disso, há 18,6 milhões de veteranos, 1,3 milhão de militares em atividade, 800 mil policiais e 500 mil bombeiros ativos.
As propostas de Trump podem, portanto, isentar 38% dos 244 milhões de estadunidenses elegíveis para votar em 2024.
A Tax Foundation estima que as isenções sobre gorjetas, horas extras e benefícios da Previdência Social reduziriam a receita federal em US$ 2 trilhões nos próximos dez anos.
Watson alertou que as promessas de benefícios fiscais direcionados frequentemente carecem de uma base política sólida e não consideram o impacto sobre a arrecadação ou a complexidade do sistema tributário.