Taiwan denuncia uso de inteligência artificial pela China para manipular a opinião pública

Taiwan denuncia uso de inteligência artificial pela China para manipular a opinião pública
Kyodo News

Autoridades de segurança em Taiwan voltaram a falar sobre o uso de tecnologias avançadas pela China com o objetivo de influenciar a opinião pública da ilha.

Segundo novo relatório apresentado ao parlamento, ferramentas de inteligência artificial estariam sendo utilizadas por Pequim para criar e disseminar conteúdos falsos nas redes sociais, alimentando tensões internas e tentando minar a coesão da sociedade taiwanesa.

Estratégia de intimidação

Nos últimos anos, Taipei já havia acusado a China de intensificar suas campanhas de desinformação, além de aplicar sanções comerciais e realizar manobras militares nas proximidades da ilha.

Esses movimentos são vistos como parte de uma estratégia de pressão política e militar, visando enfraquecer a resistência de Taiwan às reivindicações de soberania feitas por Pequim.

Mesmo sob pressão, o governo taiwanês mantém firme sua posição de rejeitar qualquer tentativa de anexação. Inclusive, o presidente Lai Ching-te reforçou que apenas o povo de Taiwan tem o direito de decidir sobre seu futuro, classificando a China como uma força hostil estrangeira.

A nova onda de desinformação identificada conta com mais de 500 mil publicações consideradas suspeitas, a maioria circulando no Facebook e TikTok. Muitas dessas mensagens ganharam força durante eventos sensíveis, como o discurso de Lai sobre relações com a China e anúncios da TSMC envolvendo investimentos nos Estados Unidos.

Táticas de “zona cinzenta” e monitoramento militar

Além das campanhas digitais, autoridades relataram um aumento no que chamam de táticas de “zona cinzenta” — ações não convencionais com a presença da Guarda Costeira chinesa em águas taiwanesas e até o uso de balões para monitoramento.

No início deste mês, a China realizou exercícios militares com munição real ao redor das costas leste, sul e norte de Taiwan.

Esses exercícios ocorreram dias após declarações hostis de Pequim contra o presidente taiwanês. A manobra foi realizada com o uso de navios, aviões e artilharia pesada, simulando bloqueios e ataques contra alvos terrestres e marítimos.

Condenação internacional

A exibição de força foi interpretada como uma mensagem clara contra qualquer movimento de independência formal por parte de Taiwan. Em resposta, o governo de Lai mobilizou forças navais para monitorar a situação e proteger seu território.

Taiwan classificou os exercícios como desnecessários e provocativos. A presidência da ilha reforçou seu compromisso com a defesa nacional e condenou o comportamento da China, apontando que o país tem se tornado um fator de instabilidade na região, fato que já preocupa governos ao redor do mundo.

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