As tensões comerciais entre Estados Unidos e União Europeia estão gerando apreensão entre líderes empresariais franceses. Patrick Martin, presidente da principal entidade patronal da França, a Medef, afirmou nesta quarta-feira (9) que as novas tarifas impostas por Washington podem empurrar o país para uma recessão.
Empresas francesas que atuam nos setores de aço, alumínio, cosméticos, bens de luxo e aeroespacial estão entre as mais impactadas pelas medidas protecionistas adotadas pelo governo estadunidense. Diante desse cenário, Martin pediu uma resposta rápida do governo francês para proteger a competitividade das empresas locais.
“O crescimento pode estagnar, e corremos o risco de entrar em recessão. Precisamos agir com urgência para fortalecer a capacidade competitiva da nossa economia, sem sobrecarregar famílias e empresas”, disse Martin em entrevista à rádio RTL.
Governo francês busca alternativas
Atualmente, autoridades francesas se mobilizam para responder ao embate comercial com os Estados Unidos. Nesse sentido, o ministro da Indústria, Marc Ferracci, defendeu a redução de tributos sobre a produção como forma de aliviar a pressão sobre os empresários.
Em entrevista à Franceinfo, o político chegou a dizer que empresas do país devem considerar suspender investimentos em solo norte-americano até que o ambiente volte a apresentar maior previsibilidade.
“O momento é delicado. O que antes era considerado seguro agora está em xeque”, destacou Ferracci.
Macron critica postura unilateral dos EUA
O presidente da França, Emmanuel Macron, também se posicionou contra a estratégia adotada pelos EUA, classificando as tarifas como prejudiciais para a estabilidade econômica global.
Durante visita ao Egito, Macron afirmou que a França “jamais desejou o caos” e que medidas unilaterais como essas não são uma solução para o déficit comercial estadunidense.
Apesar de não descartar uma resposta proporcional, Macron disse que o foco do governo será aprofundar reformas internas para aumentar a resiliência da economia francesa, e não entrar em uma guerra tarifária.
Crescimento tímido no primeiro trimestre
Enquanto isso, o Banco da França revisou para cima sua estimativa de crescimento no primeiro trimestre, projetando uma expansão de 0,2% entre janeiro e março.
O desempenho mais forte da indústria em março nos setores de bebidas alcoólicas e produtos de luxo contribuiu para esse resultado, pois muitas empresas anteciparam embarques para os EUA, prevendo o impacto das tarifas.
No entanto, a instituição reconheceu que ainda é cedo para medir os efeitos de médio e longo prazo das medidas comerciais impostas por Washington.
“O primeiro trimestre mostra uma fotografia limitada do cenário. A incerteza permanece alta e deve aumentar nos próximos meses”, disse o economista Olivier Garnier.
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