Bitcoin despenca para US$ 80 mil: entenda os motivos e o que esperar agora

Bitcoin despenca para US$ 80 mil: entenda os motivos e o que esperar agora
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Durante o fim de semana, o bitcoin (BTC) manteve-se próximo dos US$ 86 mil, sem grandes oscilações. No entanto, a pressão vendedora voltou a se intensificar nesta segunda-feira (10), fazendo o preço da criptomoeda despencar para a mínima de US$ 80 mil. Mas qual o impacto dessa queda, o motivo e até onde ela pode ir? É isso que você saberá agora.

Impacto da correção do bitcoin

Traders que operavam com alta alavancagem sentiram a queda do BTC de forma intensa. Para exemplificar, de acordo com dados da CoinGlass, 220 mil investidores tiveram suas posições liquidadas, resultando em prejuízos que somam US$ 620 milhões.

O bitcoin representou a maior parte desse montante, com liquidações de US$ 240 milhões. Em seguida está o Ethereum (ETH) com perdas de US$ 108 milhões, enquanto o XRP registrou US$ 30 milhões em liquidações.

A maior liquidação individual ocorreu na Binance, com o par BTC/USDT e causando um prejuízo de US$ 32,09 milhões para um único trader.

Motivo da queda

Em 7 de março, Donald Trump assinou uma ordem executiva estabelecendo a criação de uma reserva estratégica de bitcoin e um estoque de ativos digitais pelo governo dos Estados Unidos. O plano prevê a retenção de BTC anteriormente apreendido, sem a necessidade de novos investimentos diretos para compra da cripto.

Apesar da medida ser algo que os investidores do bitcoin aguardavam, ela não trouxe otimismo para o BTC, com a criptomoeda não conseguindo voltar para a marca de US$ 90 mil. Esse evento de baixa pode estar relacionado a um clássico efeito de “venda na notícia”, onde traders realizam lucros após um anúncio positivo.

Além disso, o fato de o governo norte-americano não adicionar liquidez ao mercado do BTC e de Trump ter assinado o decreto demonstrando que não estava entendendo muito bem o que estava fazendo pode ter jogado um “balde de água fria” nos traders do mercado.

Outro ponto importante é que os investidores se preparam para o dia 12 de março, que é quando o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA divulgará os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de fevereiro.

O relatório é acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), que utiliza as informações sobre inflação para definir suas próximas decisões de política monetária. Mudanças na taxa de juros costumam ter um impacto direto no comportamento do bitcoin.

Em nível global, medidas retaliatórias adotadas pelo Canadá em resposta a tarifas comerciais dos Estados Unidos também adicionam um elemento extra de incerteza, afetando o apetite dos investidores por ativos especulativos.

Os investidores de curto prazo também têm sua parcela de culpa. Dados on-chain mostram que 70% das vendas estão sendo feitas por investidores que adquiriram BTC nos últimos três meses e agora estão liquidando suas posições por medo de novas quedas.

O que esperar agora?

A possibilidade de novas quedas foi levantada por Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, que apontou para um possível teste do nível de US$ 78 mil. Caso esse suporte não se sustente, o mercado pode enfrentar uma correção ainda maior, com o próximo alvo em US$ 75 mil.

Um dos principais fatores de preocupação de Hayes é a concentração de opções de Bitcoin entre US$ 70 mil e US$ 75 mil, o que pode aumentar a volatilidade e levar a um novo movimento de venda.

Enquanto isso, o trader de pseudônimo Rekt Capital apontou que o índice de força relativa (RSI) do Bitcoin em seu gráfico diário atingiu níveis historicamente associados a reversões de tendência. 

Segundo ele, desde novembro de 2022, sempre que o RSI caiu para territórios de sobrevenda, a criptomoeda apresentou uma forte recuperação nos períodos seguintes.

Com base no comportamento passado do mercado, Rekt Capital acredita que o bitcoin pode encontrar um suporte sólido na faixa entre US$ 78.000 e US$ 71.700. Ele também destacou que sempre que o RSI caiu para 28 ou menos ao longo deste ciclo, a mínima do preço já havia sido atingida ou estava apenas entre 2% e 8% abaixo do patamar registrado no momento.

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