Em 2024, o déficit orçamentário dos Estados Unidos alcançou US$ 1,8 trilhão, tornando-se o terceiro maior da história do país, conforme confirmado pelo Departamento do Tesouro. Este valor representa um aumento de mais de 8% em relação ao ano anterior, mesmo após um superávit de US$ 64,3 bilhões registrado em setembro.
Embora o governo dos EUA tenha arrecadado US$ 4,9 trilhões em receitas, os gastos chegaram a US$ 6,75 trilhões. Além disso, a dívida nacional norte-americana atingiu o valor recorde de US$ 35,7 trilhões, um aumento de US$ 2,3 trilhões em comparação a 2023.
Um dos principais fatores que contribuíram para o crescimento do déficit foi o aumento dos custos com juros da dívida pública, impulsionados pelas altas taxas de juros aplicadas pelo Federal Reserve para controlar a inflação. Pela primeira vez na história, o governo dos EUA pagou US$ 1,16 trilhão apenas em juros.
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Mesmo com a dedução dos juros recebidos de investimentos governamentais, o valor líquido dos pagamentos de juros alcançou um recorde de US$ 882 bilhões, tornando-se a terceira maior despesa do orçamento federal, atrás apenas da Seguridade Social e da saúde. A taxa média de juros da dívida governamental subiu para 3,32% em 2024, em comparação a 2,97% no ano anterior.
Apesar de o superávit de setembro ter oferecido um alívio momentâneo, ele foi atribuído a ajustes temporários, como a antecipação de pagamentos de benefícios em agosto, o que resultou em um déficit de US$ 380 bilhões naquele mês, o maior déficit mensal de 2024.
O déficit atual representa mais de 6% da economia dos EUA, número incomum para um período de crescimento econômico.
Historicamente, déficits em tempos de expansão econômica tendem a ser menores, com uma média de 3,7% ao longo dos últimos 50 anos, segundo dados do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO).
As projeções do CBO indicam que o déficit deverá continuar crescendo, alcançando US$ 2,8 trilhões até 2034, com a dívida pública atingindo 122% do PIB nesse período.