O cenário econômico dos Estados Unidos (EUA) trouxe sinais contraditórios nesta sexta-feira, com a divulgação de novos dados de emprego.
A taxa de desemprego subiu para 4,2% em março, superando a projeção dos analistas, que esperavam estabilidade em 4,1%.
Apesar disso, a criação de empregos surpreendeu positivamente. Segundo o Departamento do Trabalho, o país adicionou 228 mil vagas fora do setor agrícola no mês passado — quase o dobro do total registrado em fevereiro, que foi de 117 mil.
O resultado também ficou bem acima da expectativa do mercado, que previa um crescimento de 140 mil postos.
Mas não é só o setor de empregos que está chamando a atenção nos EUA.
Guerra tarifária
O governo dos Estados Unidos anunciou novas tarifas para diversos países, com destaque para a China. Em resposta, Pequim declarou que vai impor um imposto de 34% sobre uma série de produtos estadunidenses, o que acirrou os temores de uma guerra comercial em larga escala.
A reação nos mercados foi imediata. Antes mesmo da abertura das bolsas, os futuros do Dow Jones já registravam queda de 3%, e o índice chegou a despencar quase 1.500 pontos após o início das negociações.
Em meio a esse ambiente conturbado, o economista-chefe do JPMorgan, Bruce Kasman, elevou a probabilidade de recessão nos Estados Unidos em 2025 para 60%, ante 40% anteriormente.
Em nota enviada a clientes, ele alertou que os efeitos prolongados das tarifas podem arrastar a economia dos EUA — e possivelmente a global — para uma desaceleração intensa.
Kasman destacou que já havia sinais de enfraquecimento na atividade econômica no fim de 2024 e início deste ano, mesmo antes do agravamento das disputas comerciais. Para ele, ainda que uma recessão moderada seja possível, é difícil prever sua magnitude com precisão.
Enquanto isso, Donald Trump recorreu às redes sociais para afirmar que sua política econômica continuará a favorecer grandes investimentos no país. Em tom característico, disse que este é o momento ideal para enriquecer como nunca antes.
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