Nos últimos quatro anos, os índices de juros dos cartões de crédito nos Estados Unidos dispararam, atingindo um patamar histórico de 23,4% em agosto de 2024. Este aumento tem contribuído para um endividamento recorde, com a dívida total de cartões de crédito ultrapassando a marca de US$ 1 trilhão.
A situação do crédito no país tem ganhado destaque à medida que as instituições financeiras, mesmo diante da redução das taxas de juros bancárias, continuam a elevar os encargos para os consumidores.
A dívida de cartões de crédito nos EUA é agora estimada em US$ 1,36 trilhão, conforme aponta o relatório da Kobeissi Letter, que revela que os devedores pagam anualmente US$ 318 bilhões apenas em juros.
Além disso, estima-se que os consumidores desembolsem US$ 14 bilhões em taxas de atraso, segundo o Bureau de Proteção Financeira do Consumidor (CFPB).
Nos últimos dois anos, as taxas de juros subiram 7 pontos percentuais. Um gráfico compartilhado pela Kobeissi Letter ilustra a trajetória dos juros desde o início da pandemia em 2020. O aumento nas taxas de inadimplência também é preocupante, alcançando 7%, o maior índice desde 2011.
A inflação tem sido um dos principais motores desse cenário
Dados do Bureau de Estatísticas do Trabalho mostram que, apesar da inflação ter recuado para 2,5% antes da redução das taxas de juros pelo Federal Reserve, muitos consumidores têm recorrido ao uso excessivo de seus cartões de crédito para cobrir despesas diárias. Essa dependência do crédito para o financiamento de itens essenciais resulta em um acúmulo de dívidas.
Embora o Fed tenha cortado as taxas de juros em 50 pontos base, as taxas dos cartões de crédito não seguiram essa tendência de queda. Os emissores de cartões têm aumentado os juros como forma de compensar a perda de receita potencial resultante de um teto proposto para as taxas de atraso, que foi barrado por um juiz no Texas.
A proposta do CFPB visava reduzir as taxas anuais de atraso de US$ 14 bilhões para US$ 10 bilhões, mas encontrou resistência da indústria bancária, que justifica os altos juros citando o aumento no número de mutuários subprime desde a crise financeira de 2008.