Segundo reportagem exibida pelo Datena, um empresário espanhol, identificado como Rodrigo Pérez Aristizábal (também referido como Reinaldo Pérez Aristizábal), de 25 anos, teria sido sequestrado por falsos policiais no bairro do Ipiranga, na Zona Sul da capital paulista, e mantido em cárcere privado por cinco dias em um sítio em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A quadrilha teria forçado a vítima a transferir US$ 50 milhões (equivalente a R$ 300 milhões) em dinheiro e criptomoedas durante o período em que esteve dopada.
Detalhes do sequestro
De acordo com a vítima, o crime ocorreu na última segunda-feira (24), quando ele caminhava com a esposa e foi abordado por dois homens vestidos como agentes da Polícia Civil, em um carro com logomarca oficial.
Os falsos policiais alegaram que o espanhol era procurado pela Interpol e o algemaram. Ele foi levado para um cativeiro em Mogi das Cruzes, onde afirma ter sido dopado diariamente com remédios controlados.
Os criminosos teriam transferido altos valores de suas contas bancárias e carteiras de criptomoedas. O montante exato ainda está sob apuração, mas a vítima mencionou a cifra de US$ 50 milhões.
Fuga cinematográfica
O desfecho do caso parece ter saído de um roteiro de suspense. No sábado (29), aproveitando que parte da quadrilha havia saído para uma festa, Aristizábal teria conquistado a confiança do único sequestrador presente, identificado como o policial militar aposentado Ronaldo Batista.
O espanhol misturou na bebida do vigia o mesmo remédio que era usado para sedá-lo. Com o captor dopado, ele conseguiu se soltar das algemas, fugiu do local e pediu ajuda a populares em um bar próximo, acionando a Polícia Rodoviária Federal.
A PRF localizou o cativeiro e prendeu Ronaldo Batista, que confessou participação no crime. Investigadores suspeitam que ele atuava como “segurança” da operação.
Investigação e contradições
Apesar de tratado como vítima no Brasil, o passado de Aristizábal é suspeito. Afinal, ele é investigado na Espanha por suposta ligação a um banco digital (fintech) acusado de golpes financeiros e lavagem de dinheiro.
Além disso, o empresário tem passagens pela polícia no Paraguai e no Equador por crimes semelhantes. A Polícia Federal brasileira agora apura se ele realmente é procurado pela Interpol e como teria acesso a valores tão elevados em criptomoedas.
Outro ponto em aberto é a veracidade do montante alegado. Delegados questionam como um sequestrado dopado poderia realizar transferências de milhões de dólares sem acesso a dispositivos ou senhas – detalhes que ainda não foram esclarecidos.
Em entrevista ao Datena, o repórter Bittencourt destacou que o caso está sendo tratado com “ceticismo” devido às inconsistências nas declarações da vítima. Enquanto a Polícia Civil de Mogi das Cruzes registrou o ocorrido como cárcere privado e extorsão, a PF assumiu a investigação para apurar possíveis crimes transnacionais e a situação migratória do espanhol, que estaria no Brasil de forma irregular.
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