Empresário morto em Guarulhos devia milhões de reais em criptomoedas ao PCC

Empresário morto em Guarulhos devia milhões de reais em criptomoedas ao PCC
Uol

A execução de Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, chamou a atenção pela violência do ato e pela descoberta de uma rede de negócios ilícitos e lavagem de dinheiro com criptomoedas e bens imobiliários.

A morte do empresário ocorreu no desembarque do Terminal 2, onde Gritzbach chegou após uma viagem de Goiás. O acontecimento deixou em evidência suas ligações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo investigações da Polícia Civil.

Carreira e envolvimento com o crime

Gritzbach iniciou sua trajetória como corretor de imóveis, trabalhando entre 2014 e 2018 para a construtora Porte Engenharia, famosa pela construção do maior edifício de São Paulo, o Platina. No entanto, a construtora declarou que o empresário nunca ocupou cargos de direção ou influência na empresa e encerrou qualquer vínculo após sua saída.

Depois disso, Gritzbach abriu sua própria empresa no ramo imobiliário, a SP Investimentos e Empreendimentos, que chegou a movimentar capital social superior a R$ 4 milhões antes de encerrar as atividades.

De acordo com fontes policiais, o empresário teria usado essas empresas para lavar dinheiro em benefício de membros do PCC, investindo em imóveis e aplicando recursos no mercado de criptomoedas, com operações que teriam somado R$ 200 milhões.

Além de imóveis em São Paulo, ele possuía um apartamento no Jardim Anália Franco, avaliado em mais de R$ 10 milhões, e uma aeronave adquirida em 2020 pela empresa VMA Intermediações e Negócios, da qual era sócio.

Conflito e ameaças

Os problemas de Gritzbach com a facção começaram quando ele foi acusado de reter parte do dinheiro investido. Em depoimento, o empresário revelou que o desentendimento com Anselmo Santa Fausta, o “Cara Preta”, importante membro do PCC, resultou na morte deste último, atribuída ao próprio Gritzbach.

A tensão aumentou, levando o empresário a ser ameaçado por Cláudio Marcos de Almeida, conhecido como Django, que o coagiu para recuperar os valores supostamente desviados.

Durante um desses episódios, ele teria sido obrigado a entregar uma chave de acesso a criptomoedas no valor de US$ 100 milhões, além de ver uma Ferrari levada de sua residência.

Segundo as investigações, Gritzbach foi alvo de perseguições, sendo pressionado a pagar suas dívidas com a facção, situação que o fez permanecer recluso por mais de 20 dias por medo de retaliação. Em paralelo, seus bens e documentos foram saqueados em uma invasão à sua imobiliária.

Delação premiada e provas entregues

Gritzbach chegou a iniciar negociações com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), oferecendo uma delação premiada.

O empresário teria apresentado trocas de mensagens e registros de pagamentos em dinheiro vivo, além de documentos de aquisição de imóveis em nome de laranjas.

A morte de Gritzbach foi registrada pelas câmeras de segurança do aeroporto, que mostraram o momento em que os atiradores descem de um carro preto e disparam contra ele, na presença de seus filhos e seguranças particulares.

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