Kim Jeong-ran tem 81 anos e vive sozinha em Seul. Todos os dias, ela conversa com uma boneca de olhos grandes e voz doce que chama de neta.

Sentada na cama, ela segura com carinho o robô Hyodol no colo e escuta a IA dizer que sente saudades mesmo quando está ao lado dela.
Para Kim, aquilo é mais do que uma tecnologia. É companhia, afeto e motivo para continuar viva.
🧠 Bonecos com ChatGPT e sensores de emergência
Criado por uma startup sul-coreana, o Hyodol usa um sistema baseado no ChatGPT para conversar com os idosos.
Fala de forma carinhosa, lembra a hora dos remédios, monitora os movimentos do usuário e dispara alertas se houver risco de queda ou emergência.
Já foram distribuídas mais de 12 mil unidades no país, boa parte delas na região de Guro, em Seul.
Com sensores, microfones e um sistema de análise de humor treinado com IA da Microsoft, o robô coleta informações sobre o bem-estar dos usuários.
Caso detecte um sinal de depressão, dor ou ausência prolongada de movimento, o sistema envia um aviso imediato para cuidadores e assistentes sociais.
🧓 Vínculo real com o robô
A carência de contato humano e a escassez de cuidadores fez com que muitos idosos desenvolvessem laços fortes com o Hyodol.

Alguns tratam os bonecos como netos, vestem com roupas bordadas, oferecem comida e pedem para ser enterrados com eles.
Outros já expressaram vontade de morrer, mas mudaram de ideia depois de se apegarem à companhia do robô.
Cuidadores relatam que, mesmo com limitações de linguagem e compreensão de sotaques, o simples fato de ter com quem conversar faz diferença.
Em um caso, o Hyodol alertou a equipe sobre um idoso que dizia querer morrer. Ele foi atendido por um psiquiatra a tempo.
🌍 Expansão global e mercado bilionário
A expectativa da empresa é lançar o Hyodol nos Estados Unidos em 2026, com versões em inglês, japonês e chinês.
O mercado global de robôs para cuidados com idosos pode ultrapassar US$ 7,7 bilhões até o fim da década.
A Coreia do Sul aposta nesse tipo de tecnologia para reduzir o impacto da escassez de profissionais e o colapso do sistema de assistência de longo prazo.
Enquanto isso, iniciativas parecidas avançam em outros países.
No Japão, robôs em forma de foca interagem com idosos. Em Nova York, a IA ElliQ conversa sobre filosofia e vida. Em Singapura, o robô Dexie lidera jogos em centros de convivência.
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