O Federal Reserve (Fed) pode estar prestes a enfrentar um dilema, não por causa da inflação ou do desemprego, mas por conta de um índice pouco conhecido fora do mercado financeiro: o MOVE Index.
Esse indicador mede a volatilidade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e disparou nos últimos dias, se aproximando de um patamar historicamente associado a intervenções emergenciais do banco central norte-americano.
Na última segunda-feira (7), o MOVE Index saltou 9%, atingindo 137 pontos. Caso ultrapasse os 140, o mercado entrará em uma zona crítica que, em ciclos anteriores, levou o Fed a abandonar a postura rígida e a injetar liquidez no sistema financeiro.
Pânico se instala no mercado de renda fixa
Conhecido como o “VIX dos títulos públicos”, o MOVE Index mostra o nervosismo entre os traders de renda fixa. E o que se vê nos gráficos não é um movimento gradual de adaptação às expectativas econômicas, mas sim uma escalada acelerada de pânico. Após meses preso entre 85 e 115 pontos, o índice rompeu resistências e engatou uma sequência de alta, com 13 fechamentos positivos em 14 sessões.
Essa trajetória, com velas longas e sem sinais de reversão, mostra que os compradores dominam o mercado. Não há realização de lucros ou pausas no avanço, o que reforça o cenário de estresse. O próximo grande obstáculo técnico está entre 140 e 145 pontos — zona que já serviu de teto durante episódios anteriores de turbulência, como em outubro de 2023.
Consequências de uma quebra de resistência
Se o índice ultrapassar essa barreira e se mantiver acima por dois ou três pregões, o efeito dominó pode ser rápido: aumento nos spreads do mercado de recompra, distorções em ETFs de renda fixa e avanço nos custos dos seguros contra calotes, os chamados credit default swaps. Nessas condições, o Federal Reserve teria pouca escolha a não ser intervir, ainda que os dados de inflação sigam pressionados.
Jerome Powell, presidente do Fed, reconheceu que o momento é incerto. Segundo o banqueiro, ainda não é hora de tomar decisões precipitadas sobre juros. Mas a verdade é que, com os mercados financeiros em ebulição e os riscos de uma estagflação se tornando mais reais — combinação de crescimento fraco com preços elevados —, o banco central pode ser forçado a mudar o rumo.
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