Wall Street diminui posição em Strategy

Wall Street diminui posição em Strategy
Imagem destaque: Pexels/Mizuno K

Strategy (MSTR) já foi a porta mais tradicional para quem queria exposição ao bitcoin (BTC) sem tocar na criptomoeda diretamente. Só que esse papel está mudando e os números do terceiro trimestre deixaram isso bem claro. Grandes gestoras tiraram US$ 5,4 bilhões do total alocado em MSTR entre o fim de junho e o fim de setembro de 2025.

O que chamou atenção não foi apenas o valor, mas o contexto. O BTC oscilou perto de US$ 95 mil durante boa parte do trimestre e até tocou novos patamares acima de US$ 125 mil. Já a Strategy ficou em torno de US$ 175, sem quedas bruscas.

Ou seja, não foi fuga. Não teve liquidação automática, nem corrida para portas de saída. O que houve foi redimensionamento intencional. As gestoras Vanguard, Capital International, BlackRock e Fidelity cortaram partes relevantes de suas posições, cada uma perto da casa de US$ 1 bilhão.

O recado é que o mercado encontrou caminhos novos para acessar o bitcoin e a MSTR deixou de ser a única avenida que fazia sentido dentro das regras corporativas dessas instituições.

Por que agora?

Durante anos, “comprar MSTR” funcionou como atalho. Muitos fundos não podiam lidar com bitcoin pela própria estrutura interna. Já ações listadas eram neutras do ponto de vista operacional. O plano era simples de explicar para comitês: “uma empresa com muito BTC no caixa”.

Enquanto isso, Michael Saylor transformava o negócio em um supercofre corporativo de bitcoin usando emissão de notes e outras manobras de alavancagem.

Essa combinação atraiu bilhões. A demanda chegou ao ponto de MSTR negociar com prêmio que beirava o dobro do valor em BTC por ação. Só que essa vantagem dependia da limitação dos fundos em segurar a criptomoeda primária diretamente. Quando essa limitação diminuiu, o trade perdeu exclusividade.

O impacto real dos US$ 5,4 bilhões

Na prática, o recuo representa 14,8% do valor institucional do papel. Alto em dólares, mas o volume total alocado no final de setembro ainda estava acima de US$ 30 bilhões.

É parecido com um fundo de US$ 100 bilhões reduzindo uma posição para algo perto de US$ 85 bilhões. A operação continua gigante, só mudou de tamanho.

O mais importante aqui é o que isso sinaliza. O papel saiu do lugar de “solução inevitável” e foi parar na prateleira das opções, principalmente com o avanço do mercado de ETFs de BTC.

O lançamento e a popularização dos fundos de Bitcoin nos EUA trouxeram acesso direto, regulamentado e com infraestrutura familiar para grandes gestoras. Isso elimina a necessidade de usar uma empresa como “ponte”.

Mas é importante destacar que um recuo de US$ 5,4 bilhões não é um abandono, mas sim uma reorganização.

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